Pedi para levantarem as mãos.
Quem já tinha experimentado alguma ferramenta de inteligência artificial, que levantasse a mão. Quase toda a gente levantou.
Depois perguntei quem sentia que estava a tirar valor real disso, todos os dias.
Quase todas as mãos desceram.
Foi assim que abri a minha primeira palestra, esta semana, no Portugal Conecta, em Ermesinde. E não escondo: não sabia se ia conseguir.
Nunca tinha falado assim, num palco, para uma sala cheia.
Mas aquele gesto, as mãos a descerem, disse mais em três segundos do que qualquer slide que eu tivesse preparado. É o fosso que tento fechar em cada vídeo, em cada edição desta newsletter. Ali, estava a vê-lo acontecer ao vivo.
O que ficou do palco
Se estiveste na sala, já conheces o resto.
Para quem não esteve, o essencial eram três perguntas antes de qualquer subscrição:
O que automatizar: as tarefas chatas que se repetem, que te roubam tempo todas as semanas.
O que nunca automatizar: o que exige julgamento, confiança e relação.
A chamada difícil, a decisão do desconto, o aperto de mão.
O que precisas de ter antes: a informação toda num sítio só, e um processo claro.
Se não consegues explicá-lo a um estagiário, também não vais conseguir explicá-lo a uma inteligência artificial.
O que não estava no guião
O melhor da noite aconteceu depois, no networking.
No espaço de uma hora, o mesmo padrão apareceu três vezes, em três negócios completamente diferentes. Sectores diferentes, dimensões diferentes, problemas aparentemente sem nada em comum. Mas todos a descreverem a mesma coisa: mensagens a chegar de todo o lado, as mesmas perguntas repetidas, sem tempo para responder a todas.
O consultor imobiliário que usei como exemplo lá dentro não era um caso isolado.
Era um padrão que só ficou visível quando saí do palco.
Existem frameworks que só sabemos se funcionam quando saem da teoria.
Este saiu, e aguentou-se em três contextos diferentes, na mesma noite.
Para quem chegou agora
Sei que uma boa parte de quem está a ler entrou na lista esta semana, provavelmente vinda da palestra. Bem-vindos. ☺️
Já que estamos aqui, um bocadinho de conteúdo que não estava lá dentro.
Uma pergunta que aparece sempre, de formas diferentes: "o meu problema é o prompt ou é a ferramenta?"
É quase sempre a pergunta errada.
Antes de mudares de ferramenta ou de tentares mais um prompt perfeito, pergunta-te o que a tarefa exige.
Se exige raciocínio, precisas de uma ferramenta que raciocine contigo, não que apenas responda.
Se exige pesquisa com fontes verificáveis, precisas de algo desenhado para isso, não de um chat genérico.
A maior parte da frustração que vejo não é falta de jeito para escrever prompts.
É pedir a coisa certa à ferramenta errada.
Não é o framework completo. Mas chega para desbloquear alguém esta semana.
O que fazer esta semana
Na palestra pedi 10 segundos para pensarem numa tarefa que se repete e vos rouba tempo.
Se estiveste lá, recupera essa tarefa.
Se não estiveste, escolhe uma agora.
Depois faz o teste do estagiário: escreve o processo dessa tarefa como se o fosses explicar a alguém no primeiro dia.
Se não conseguires escrevê-lo, encontraste o teu verdadeiro primeiro passo. E ainda não gastaste um euro em ferramentas.
O guia com as três perguntas continua disponível, gratuito: https://ricardocosta.eu/guia/
Até à próxima semana, mesmo processo, o caos habitual.
Observar, pensar, partilhar.
Ricardo Costa
P.S. Se conheces alguém que já subscreveu duas ou três ferramentas de IA e não tira valor de nenhuma, reencaminha-lhe esta edição. As três perguntas existem exactamente para essa pessoa.
